terça-feira, 26 de abril de 2011

Confesso que ando muito cansado, sabe?
Mas um cansaço diferente. Um cansaço de não querer mais reclamar, 
de não querer pedir, de não fazer nada, de deixar as coisas acontecerem.
(Caio Fernando Abreu)

quarta-feira, 20 de abril de 2011

A gente descobre que está ficando velha quando...

- Calça 38 só com “reza braba”; (Na verdade a 38 virou 42, mas a gente fala que veste 40)
- Emendar balada com trabalho já não é tão simples assim;

- A gente finalmente entende que não adianta espernear que ele não volta;
- Conselho de mãe finalmente começa a fazer sentido;

- A gente percebe que homem misterioso/confuso na verdade é um porre;
- A companhia é mais importante que o lugar;

- A baladinha da moda que todo mundo vai é o último lugar que você quer ir;
- A gente se da conta que é mortal e as pessoas que amamos também (portanto, reclame menos e aproveite mais);

- O que as pessoas falam sobre você realmente não interessa (a não ser que seja um amigo ou parente muito querido);
- Você pode não ter ficado mais confiante, mas você disfarça bem que é uma beleza;

- Ser feliz fica mais simples e você começa a dar valor ao que realmente tem.


“Continuo viva”, pensou enquanto abraçava o próprio corpo e erguia a cabeça rumo ao céu. “Continuo viva”, reafirmou ao sentir o calor da imensa bola de fogo tocando cada parte de seu corpo, sentiu cada poro se abrindo, o arrepio surgindo e ele ainda caminhando atrás dela, em passos lentos como sempre fazia,partindo. 
  - Certas coisas a gente não explica, Sara. Simplesmente não dá mais pra mim.
Ela então se lembrou de uma música que gostava muito que dizia “algumas coisas são melhores se deixadas desconhecidas” e pela primeira vez na vida parou de questionar, decidiu que deixaria a vida seguir seu curso, o amor bater em seu tempo e aceitar os acontecimentos. Sentiu um imenso nó no peito, uma repulsa no estômago e as pernas bambas ao pensar que Tom, que estava ali tão lindo como sempre, parado à sua frente com aquele meio sorriso, olhos apertados e braços cruzados, dali em diante não estaria mais. Doeu pensar que ela teria que vê-lo partir e ficar com todas as lembranças pra si, pra serem destruídas, ou serem arquivadas, relembradas quem sabe. Seu olhar era fixo, seu pensamento era vago.
  - Sara – ele a tocou no braço a fazendo acreditar por um momento que tudo fora um sonho – não vai dizer nada?
Ela então segurou a mão que a tocava, colocou em sua cintura e jogou os braços em volta do pescoço daquele que ela tanto gostava, daquele com quem ela havia dividido parte de sua história, entregado muito de si, confinado segredos, trocado olhares, beijos, carícias, trocado um pedaço de alma, dado um pedaço enorme da carne vermelha e sangrenta denominada coração. Sara sentiu quando ele a apertou um pouco mais e suspirou. Ficaram ali entregues um ao outro até que cada um pudesse guardar o cheiro, o gosto, o jeito, o corpo, o sentimento, o toque do outro. Ficaram tão entregues um ao outro que por um instante pareceram um. Um par perto de virar ímpar. Ela guardaria aquele abraço; ele guardaria aquela sensação; ela guardaria os beijos; ele escolheria guardar a diversão; ela se arrependeria depois por ter se entregado tanto; ele se arrependeria depois por ter achado que não merecia esse tanto; ou talvez não. Talvez com o fim do abraço fosse o fim de uma história.
  -Você precisa se cuidar – ele disse em seus ouvidos.
  -Vou sentir sua falta – foi o que ela conseguiu responder.
Quando enfim se soltaram, olharam-se pela última vez, flashs aparecendo na memória de cada um: primeiro encontro, primeiro beijo, discussões, brincadeiras. Ele então se virou, colocou as mãos nos bolsos e partiu em passos lentos rumo ao leste. Era dolorido demais vê-lo ir embora, então Sara virou-se, fechou os olhos e ajoelhou. Desabou. Durante cinco minutos ficou ao chão, lamentando pela partida de alguém tão querido, mas uma voz interna lhe disse: “Você continua viva. Com um pedaço a menos de você, mas com um pedaço enorme daquele cara, e isso vai te fazer viver. Estamos aqui pra, no fim, levar quase nada de nós e muito dos outros. Os pedaços são nossos combustíveis, os outros são nossos postos. E como todo posto, toda estação, devemos passar e deixar que passem também. A menina de olhos cor de esmeralda se levantou, abraçou o próprio corpo,  ergueu a cabeça aos céus e em pensamentos disse a si mesma: “Continuo viva e isso é tudo que preciso para viver hoje”.

quarta-feira, 13 de abril de 2011



 
“O intervalo de tempo entre a juventude e a velhice é mais breve do que se imagina.
Quem não tem prazer de penetrar no mundo dos idosos não é digno da sua juventude.
Não se enganem, o ser humano morre não quando seu coração deixa de pulsar,
mas quando de alguma forma deixa de se sentir importante.”


quinta-feira, 7 de abril de 2011

Você imagina quantas mulheres existem em mim?



 "Eu posso acordar doce, ficar amarga e até dormir ácida sem você perceber. Mas eu quero que você perceba. Eu quero que você se alimente do que há de melhor e pior em mim. Eu quero te mostrar cada gosto, te misturar, te revirar o estômago, te virar do avesso, jogar a receita fora. (Nada de banho-maria)."

Fernanda Mello.


quarta-feira, 6 de abril de 2011

Cada pessoa é uma mistura das suas escolhas e desejos...



 
"A grande questão a ser respondida pelo homem, não é quem sou, mas o que desejo. Nós somos definidos pelos nossos desejos, pelas escolhas que fazemos influenciados por eles. Mas por que os seres humanos costumam fazer coisas que não querem ou que não sabem que querem? Por que costumamos ser tão cegos aos nosso próprios desejos? Essas são as perguntas que nem Freud nem qualquer estudioso da mente humana jamais conseguirá responder com perfeição. Porque além do nosso grande desconhecimento sobre nós mesmos, somos confrontados com o acaso ou um acidente o tempo todo... Mas ainda assim, perdidos em meio ao caos de uma teia de coincidencias, os seres humanos conseguem ter momentos plenos de felicidade e sentido, e é neles que conquistamos a impermanência."
(Michel Melamed)






"Muitas vezes as pessoas são egocêntricas, ilógicas e insensatas... Perdoe-as assim mesmo. O que você levou anos para contruir, alguém pode destruir de uma hora para outra... Contrua assim mesmo! Se você tem paz e é feliz, as pessoas podem sentir inveja... Seja feliz assim mesmo. Dê ao mundo o melhor de você, mas isso pode nunca ser o bastante... Dê o melhor de você assim mesmo!
Veja que, no final das contas, é entre você e Deus, nunca foi entre você e as outras pessoas."


terça-feira, 5 de abril de 2011



"E eu sempre digo que posso ter uma solidão medonha,
mas sempre vai haver um vasinho de flores num canto. A gente pode enfeitar a amargura."
(Caio Ferando Abreu)



GEEENTE, NÃO ADIANTA!




Você pode varrer a sujeira pra debaixo do tapete, você pode embolar tudo e fechar o armário...
Mas, espera aí... você vai aguentar a bagunça da sua vida até quando?
Você vai fingir que esta tudo em ordem pra que?
         Ah... dá um tempo!
Um conselho: "Limpa a sua sujeira".
Limpa suas feridas, limpa a sua alma.
Faz uma faxina nesse coração, e preste atenção: Faz isso logo porque dá rato!

"A ordem é desocupar lugares, filtrar emoções."
~ Que bons ventos tragam boas e maravilhosas energias!


A gente se acostuma, mas não devia...

 A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
 A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
  A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.
 A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.  
 A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
 A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade.
 A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
 A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
 A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida... Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.


segunda-feira, 4 de abril de 2011

"(...) É como se o mundo estivesse a minha espera. E eu vou ao encontro do que me espera."




"Já perdemos muito tempo brincando de perfeição, agora é bola pra frente... no mais perfeito caos."


"Hey, garota, faça um favor: não fique esperando.
Já lhe fizeram sofrer demais.

Já lhe fizeram feliz demais.

Tá na hora de você mesma fazer algo por você,

e só você pode fazer!"



Nada há de digno em ser superior a outra pessoa.
A única nobreza genuína é ser superior a seu antigo eu.


“Sentir não é brega. Ao contrário: não existe nada mais chique.”


“É burro cantar coisas que eu, tu, ele, nós sentimos?
É brega ter desejos e carências e dores e suspiros assim, de gente?
Sentir não é brega. Ao contrário: não existe nada mais chique.”
Caio Fernando Abreu


Anota aí pro teu futuro: "Os beijos bons precisam começar em nós!"



 É uma benção inestimável receber amor. Mas quando dói, a gente precisa cuidar da própria dor com o carinho com que gostaríamos de ser cuidados pelos outros. Com a atenção e a suavidade com que tantas vezes cuidamos de outras vidas. Os beijos bons precisam começar em nós. (Ana Jácomo)